Para quem leu o livro Brilhante com a estória da mãe dedicada a um filho que os médicos deram terríveis prognósticos, aqui está ele. Jacob Barnett simplesmente brilhando!!
16 IDEIAS PARA ACALMAR SUA CRIANÇA AUTISTA
1. USE ROTINAS, NÃO LINGUAGEM ORAL.
2. MUDE O AMBIENTE, NÃO A CRIANÇA.
3. USE REGRAS E AS SIGA!
4. MANTENHA SUA CREDIBILIDADE!
5. NEGOCIAÇÃO NÃO É SÓ PARA ADULTOS!
6. QUEBRE OS DESAFIOS EM PEQUENAS ETAPAS.
7. DÊ RESPONSABILIDADE ÀS CRIANÇAS!
8.TRABALHO EM EQUIPE É UM SUCESSO!
9. SEJA PRÓ-ATIVO EM RESOLVER CONFLITOS .
10. AÇÕES FALAM MAIS QUE PALAVRAS!
11. TUDO QUE É FEITO É BASEADO EM RESULTADOS.
12. ENSINE COM CONSEQUÊNCIAS.
13. CHEIRE ROSAS! PENSE POSITIVO!
14. ESCUTE COM O CORAÇÃO.
15. BRINQUE SEMPRE COM O QUE FOI ASSIMILADO E APRENDIDO.
16. SÃO AS PEQUENAS CONQUISTAS QUE CONTAM!
2. MUDE O AMBIENTE, NÃO A CRIANÇA.
3. USE REGRAS E AS SIGA!
4. MANTENHA SUA CREDIBILIDADE!
5. NEGOCIAÇÃO NÃO É SÓ PARA ADULTOS!
6. QUEBRE OS DESAFIOS EM PEQUENAS ETAPAS.
7. DÊ RESPONSABILIDADE ÀS CRIANÇAS!
8.TRABALHO EM EQUIPE É UM SUCESSO!
9. SEJA PRÓ-ATIVO EM RESOLVER CONFLITOS .
10. AÇÕES FALAM MAIS QUE PALAVRAS!
11. TUDO QUE É FEITO É BASEADO EM RESULTADOS.
12. ENSINE COM CONSEQUÊNCIAS.
13. CHEIRE ROSAS! PENSE POSITIVO!
14. ESCUTE COM O CORAÇÃO.
15. BRINQUE SEMPRE COM O QUE FOI ASSIMILADO E APRENDIDO.
16. SÃO AS PEQUENAS CONQUISTAS QUE CONTAM!
COMEÇANDO A ALFABETIZAÇÃO
Nossos alunos autistas são muito visuais. Eles aprendem de forma mais eficiente quando imagens são mostradas e/ou pareadas com dicas verbais.
Para que seu aluno aprenda a ler, faça cartõezinhos com a família das sílabas. Assim como nós aprendemos no passado: BA, BE, BI, BO, BU e assim vai.
Mostre para seu aluno e peça para que ele repita as sílabas. Comece com uma só família. Colete dados. À medida que ele for assimilando aquela família, acrescente outra. Ele melhora a percepção e a fluência. Aos poucos, quando ele aumentar o repertório de sílabas, mostre palavras que contenham as famílias assimiladas. Peça para relacionar as palavras com os desenhos das respectivas palavras para checar se ele entende o que está lendo. Faça muitas vezes e registre! Com menos tempo que você imagina, ele estará lendo. Boa sorte!!!
TRENZINHO DA CONVERSA
Excelente ideia para ajudar seu aluno a esperar a vez, manter-se no tema e revezar. Você pode começar com: "Eu gosto de assistir a Tartarugas Ninjas". Se seu aluno não comentar, você pode dar uma ajuda intraverbal dizendo: "Eu gosto..." e aponte para uma figura de um programa de televisão.
Aí vocês vão completando o trenzinho.
Faça isso várias vezes durante o dia e colete dados.
Seu aluno vai melhorar a atenção, o foco na conversa e a fluência!
Livro da professora Rita Vieira de Figueiredo. Ótima leitura para quem trabalha com inclusão.
"Os educadores se esquecem, no entanto, de que é o contexto que denomina o aluno de especial, são as singularidades que fazem com que as diferenças apareçam e requeiram respostas variadas do meio. Esquecem, também, a capacidade de criar, inovar, a capacidade de dar respostas às diferenças. A falta de habilidade em lidar com essas pessoas com deficiência é fruto da não convivência com elas, pois, como não convivemos diariamente, não criamos padrões de comunicação. Consequentemente, sentimos dificuldades para nos comunicar com elas. Atitudes como estas estão arraigadas culturalmente, chegam a ser viscerais em nossa sociedade". (p. 31)
SISTEMA OU ECONOMIA DE FICHAS
ABA (em inglês Applied Behavioral Analysis) é uma ciência baseada na teoria de Skinner onde se acredita que todo comportamento é modificável. Um dos princípios do ABA é o trabalho com reforços positivos. Reforço positivo é o estímulo que o aluno precisa para se sentir motivado a aprender. É claro que um aluno que tem algum tipo de dificuldade vai, conseqüentemente, ter a auto estima baixa não querendo fazer tarefas ou prestar atenção. Com a auto estima sempre flutuante, essas crianças precisam desse empurrão para se manterem focadas na aprendizagem.
O sistema de ficha é um tipo secundário de reforçamento. O que a ficha
é um estímulo neutro que tem pouco significado como ficha em si. Contudo, quando
as fichas são associadas e trocadas pelo reforçamento escolhido pelo aluno, as
fichas podem tornar a aprendizagem muito mais motivadora.
Dinheiro é, provavelmente, a economia de fichas mais conhecida. Não tem
nada motivante em cédulas de papel. Todavia, porque usamos essas cédulas de
papel para comprar comida, entretenimento, acessórios, livro, etc, elas se
tornam extremamente reforçadoras e nos sentimos motivados para trabalhar muito
para obtê-las.
Listados abaixo estão alguns objetivos da economia de fichas:
Aumenta
a demora de entrega do reforço – a economia de ficha é uma
maneira para construir na criança a habilidade de espera para seus reforços
positivos e atividades. Ela consegue (concretamente) ajudar a criança a
entender o quanto ela tem que fazer para chegar a algo realmente divertido!
Aumenta
a noção do tempo – o sistema de fichas ajuda as crianças
que têm pouca noção de tempo. São aquelas que perguntam constantemente quando a
atividade acaba ou se levantam muito da cadeira. Elas passam a compreender e
literalmente a visualizar o quanto tem que esperar ou quanto tempo vão ter que
ficar naquela atividade.
Diminui
a saciação – com o aumento do número de respostas para
obter um reforçador primário ou secundário, o sistema de fichas diminui as
chances da criança ficar satisfeita e saciada por escolher um único tipo de
reforço. Com essa estrategia, ela demora um pouco mais para ter acesso ao que
escolheu.
Aumenta
as chances de aprendizagem – quando se faz a entrega de
reforços em espaços curtos diminui a concentração da criança porque a cada uma
ou duas
respostas é entregue a atividade (ou comida) preferida. Recompensando a
criança com uma ficha é rápido, objetivo e permite intruções mais fluidas.
É
mais natural – em muitas instituições escolares, não é
comum se ver professores andando pelos cantos entregando balas, bolhas de sabão
ou fazendo cosquinhas a cada resposta certa. Usando as fichas atrasa-se a entrega
de reforços mais óbvios tornando o sistema de fichas menos intrusivo para ser
usado dentro da sala.
Aumenta
a seleção de reforços – porque reforços são entregues
depois de um determinado número de respostas, atividades mais longas podem ser
usadas como videos ou músicas. Apenas alguns minutos do video podem dispersar a
criança. Mas se ela gostar muito de um determinado video, talvez esteja
disposta a esperar mais, ou seja, ganhar algumas fichas para enfim ter acesso a
um tempo maior do video.
Um desenho do reforço para qual a criança está trabalhando deve estar visível
durante todo o tempo de trabalho. Isso acontece para continuamente lembrar à
criança que ela está trabalhando para ganhar aquilo que escolheu.. Como são
crianças muito visuais, o sistema em si ajuda a criança a entender e a literalmente
ver o que ela vai ganhar no final.
É claro que para que o sistema se torne eficiente, começa com a entrega
de uma ficha apenas depois de uma resposta certa. Quando a criança entender que
é assim que funciona o sistema, durante uma cuidadosa coleta de dados, aí se
passa para uma ficha a cada duas respostas e assim por diante.
É EXTREMAMENTE importante que se fale uma frase positiva quando a
criança passar a ficha de um canto para outro. Frases do tipo: “Adoro o jeito
que você está sentado!”, “Uhu! Você está
prestando atenção!”. “Fico feliz quando você ouve a tia!”. Com o pareamento das
frases e entrega das fichas, vai facilitar a transição das crianças do token
para apenas o elogio.
COMO FAZER?
Pegue um pedaço de cartolina de
qualquer cor lisa e recorte um retângulo de 20 cm por 15cm. Plastifique.
Faça uma linha horizontal de velcro e cinco ou seis quadradinhos de mais ou
menos 1cm e meio. Cole a linha de velcro
na parte inferior da cartolina e os quadradinhos espaçados de forma igual,
acompanhando o traçado da linha de baixo. Para facilitar a transição na escola
e manter o interesse do aluno, é aconselhável colocar a cartolina numa
prancheta pequena para que o aluno carregue de um lugar para outro.
As fichas podem ser adesivos, figuras de personagem de desenhos
animados preferidos da criança, peças de lego, de quebra-cabeça, botões ou
moedas. O importante é que a criança aprenda que, se ela fizer o que foi
designado para ela, ela irá receber uma ficha. Depois de várias performances
corretas, ela colecionará fichas que poderão ser trocadas por uma atividade ou
comida favorita.
Esse estratégia de ensino usada, muitas vezes, com crianças autistas,
funciona muito bem com aquele aluno que não pára quieto na sala de aula. As
crianças desempenham um comportamento aceitável para acumular as fichas. Com
isso, elas aprendem a se auto-regular esperando um pouco para fazer ou comer
alguma coisa de que eles realmente gostam.
Em vez de escrever tracinhos ou desenhar carinhas no quadro quando a
criança não se comporta em sala, o professor pode usar esse a economia de
fichas. É mais discreto e reforça-se as atitudes corretas em vez das negativas.
Com esse sistema colado na carteira, o aluno aprende a se auto-monitorar, não
chamando muito a atenção das outras crianças. Manter a discrição no caso de um
aluno que gosta de chamar a atenção dos colegas ajuda a re-direcionar o foco daquele
aluno.
Vamos supôr que o aluno gosta de se levantar da cadeira. A professora
prepara um sistema de fichas para reforçar todas as horas que ele se senta na
cadeira. Comece sempre com um intervalo
pequeno, digamos, 2 minutos. Se a criança gosta muito de futebol prepare, por
exemplo, seis bolas de futebol como fichas. Nos primeiros 3 minutos que ele
ficar sentado, ele é instruído a mover uma bola da linha para o quadradinho. É
aconselhável cortar as bolas, plastificá-las e colar velcro atrás de cada
figura. Mantenha as bolas enfileradas na linha de baixo para que o aluno possa
mover as bolas que for ganhando para a linha de cima. Se por acaso o aluno se
movimentar, perde o direito de mover as bolas. Cada vez que ele conseguir mover
as bolas (por ficar 2 minutos sentado na cadeira), o professor deve também
elogiar o esforço: Parabéns, você conseguiu ficar sentado durante 3 minutos,
pode mover uma bola!
EM
POUCAS PALAVRAS...
- É muito importante que o elogio seja feito ao mesmo tempo que a criança move uma “ficha” para a linha de cima. Seja sincero e entusiasta!
- Comece sempre com uma ficha. Avance gradualmente para duas fichas, três, quatro até quantas você achar necessário.
- O repasse das fichas acontece da esquerda para a direita, ajudando na aquisição da pré-escrita.
- Saiba que o sistema de fichas deve ser temporário até que o aluno aprenda a se controlar para deixar o sistema de fichas de lado e continuar se comportando direito reforçado apenas por elogios.
- O aluno aprende a esperar.
- É ótimo para trabalhar alguns pontos matemáticos como: “Quantos adesivos/ moedas faltam?” , “O que acontece quando você passa mais um adesivo/moeda?”, “Quantas moedas você já conseguiu?”
- O aluno não perde interesse na recompensa porque em vez de ter acesso a ela a cada performace de bom comportamento, só a recebe depois de cinco ou seis performances corretas.
Bibliografia consultada
- LOVAAS, O. Teaching Individuals with Developmental Delays - Basic Intervention Techniques, 2000.
- MANTOAN, Maria Teresa Égler; PRIETO, Rosângela Gavioli. Inclusão Escolar: pontos e contrapontos. Summus Editorial: 2006.
- WALLIN, Jason M. – Visual Supports. http://www.polyxo.com/visualsupport/tokeneconomies.html
ALGUMAS ESTRATEGIAS PARA INCLUSÃO DE SEU ALUNO AUTISTA!
1.Utilize o interesse especial da criança para motivá-la.
2. Monte clubes de xadrez, desenho, música durante o recreio. É mais fácil para as crianças socializarem. Ou, como sempre digo, deixe que a criança traga brinquedos industrializados. Se a escola reservar uma sala ou um espaço delimitado para que as crianças possam jogar jogos de tabuleiro, melhor ainda!!! Dicas: Dentes do Crocodilo, Pula Pirata, Pinote, Puxa Batatinha, Candyland, etc.
3. Deixe que as crianças com transtorno do espectro autista frequente a biblioteca durante o recreio, antes da aula começar ou no final do turno. Bibliotecas são lugares calmos e ambientes relaxantes.
4. Mantenha uma rotina quando possível.
5. Como educador, não entenda que as birras ou comportamentos são pessoais para agredir você.
6. Mantenha limites.
7. Tenha regras e expectativas claras.
8. Tenha sempre um plano B para proteger professores e alunos.
9. Mantenha um bom vínculo com a criança.
10. Seja claro sobre o que você espera do aluno. Lembre-se: eles são muito literais!
Ido in Autismland: a estória de uma menino autista não-verbal

Eu estava lendo a estória de Ido que tem autismo e ele diz:
"Durante os exercícios eu luto contra várias coisas mas a mais desafiadora é fazer alguma coisa movendo o corpo em cima e alguma coisa embaixo ao mesmo tempo. Meu corpo faz uma coisa ou outra. Eu tenho me concentrar muito para fazer o trabalho da perna se o exercício mais complicado. (...)
A habilidade de fazer diferentes ações com o uso de braços e pernas, é algo que nós não damos valor. É muito frustrante lutar contra nosso corpo do jeito que fazemos. Todos nós temos que trabalhar nossos movimentos e desenvolvimento músculos. No autismo é a desconexão entre nossas intenções e movimentos que é tão desafiador!!!" (tradução livre)
TAREFAS EM PLÁSTICO
Para facilitar a fixação, pegue uma atividade e a coloque dentro de um plástico. Com uma caneta que seja fácil de remover ou giz de cera (pode usar lenços umidecidos), a criança faz a atividade e a apaga. Pronto! A atividade pode ser feita muitas vezes e em lugares diferentes (casa, terapia, casa da avó, escola) para facilitar a generalização.
MAIS DEPOIMENTOS SOBRE ABA
"Aconteceram várias mudanças em relação ao aprendizado e ao comportamento. Ela fala as vogais, os números de 1 a 5 e escreve seu pré-nome (...). "
Maria das Neves, mãe de Ana Caroline, 8 anos.
"Ele fala, brinca com outras crianças, pede para ir à escola e fica em sala sem chorar. Come alimentos que não comia antes."
Ana Lúcia, mãe de Pedro Guilherme, 6 anos.
"Teve melhoras na fala, consegue pedir as coisas, está conhecendo as letras, números, cores, canta, fala o nome dos bichos. Está quase conseguindo fazer as tarefas sem que peguemos na mão dele e fica na sala de aula mais tempo sentado".
Lúcia Valéria Rodrigues de Sousa, mãe de Heitor, 6 anos.
TEMPLE GRANDIN FALA SOBRE SEUS PROBLEMAS SENSORIAIS E ALERTA PAIS E PROFISSIONAIS
Qualquer pessoa que tenha ido às
minhas apresentações sabe que, na minha opinião, problemas sensoriais é uma
causa provável de problemas de comportamento em crianças com autismo. Eu mesma
tenho muitos problemas sensoriais e o que afeta mais é em relação à audição.
Quando eu era criança, o barulho
do sino da escola machucava meus ouvidos, parecia o barulho do dentista. Isso é
comum na população de autistas. Os sons que mais comumente machucam são os bem
agudos, sons interruptos como
alarme de bombeiro, detectores de fumaça, alguns toques de celular ou então os
testes feitos com microfone. Uma vez que a criança associe a dor com alguns
sons, ela não vai esquecer tão cedo. Subsequentemente, uma criança talvez apresente uma birra e se recuse a
entrar num certo cômodo porque talvez tenha medo de que o alarme dispare ou que
aquele barulho ruim aconteça outra vez. Mesmo que isso tenha acontecido alguns
meses atrás, ou mesmo somente uma única vez, a criança talvez reaja para que
não passe por aquele sofrimento outra vez.
Às vezes a sensibilidade ao som
pode ser desensibilizada gravando o som irritante e permitindo que a criança
ouvir o som e, gradativamente, com mais frequência, aumentando o volume.
Problemas com som são bem
variáveis. Um som que irrita o ouvido de um criança pode ser atraente para
outra. Pais e profissionais precisam ser bons detetives e observar as pistas da
criança sobre que sons são mais problemáticos.
Detalhes auditivos
Apesar de as crianças e os
adultos com TEA poderem facilmente passar num teste auditivo básico, eles
frequentemente têm dificuldades para ouvir alguns pedaços de som.
Quando eu era criança, eu
conseguia ouvir o que as pessoas estavam dizendo quando elas falavam
diretamente comigo, quando adultos falam rápido parece coisas sem sentido. Tudo
que eu conseguia ouvir eram vogais e, eu pensei que os adultos tinham sua
própria linguagem. Crianças que são não verbais talvez só escutem vogais e não
consoantes.
Minha fonoaudióloga me ajudou a
ouvir as consoantes falando-as bem devagar. Ela segurava uma xícara e dizia
XXXXÍ-CCA-RA. Ela alternava entre dizer “xícara” de um jeito normal e bem
devagar. Se tivesse muito barulho de fundo, eu tinha dificuldades em ouvir.
Fazer contato olho-no-olho era muito difícil para mim em lugares barulhentos
porque atrapalhava minha habilidade de ouvir. É como se as minhas conexões neurais só
deixassem um dos sentidos funcionar ou outro, mas às vezes, os dois na mesma
hora.
Em lugares barulhentos, eu tinha
que me concentrar em ouvir. Algumas crianças, se as palavras forem cantadas em
vez de faladas, pode ser melhor. Quando eu era pequena, nós fazíamos muitas
atividades musicais.
Quando adulta, fiz muitos testes
auditivos e fiquei chocada o quão ruim foi minha performance. Palavras como “salva-vidas”e “lâmpada” (no inglês, life boat e light bulb)
eram misturadas. Eu também não fui bem no teste auditivo de gêneros, onde um
homem fala num ouvido e uma mulher no outro. Contudo os meus ouvidos estavam
normais nos testes. Eu tinha dificuldade para discernir entre dois sons curtos
que eram colocados juntos. Pessoas típicas conseguem discriminar qual som tem
um agudo alto e, consequentemente os seus cérebros registram dois sons. Eu não
conseguia fazer isso porque os sons se juntavam.
Pais e professores que trabalham
com crianças diagnosticadas no espectro precisam ficar atentos a essas dificuldades
de processor sons. Às vezes o comportamento de uma criança pode ser diretamente
o resultado da falta de habilidade de processar os sons, ao invés da de birras.
Imagine como
você funcionaria (ou não) se você ouvisse apenas partes das palavras, só vogais
ou apenas alguns sons. Quantas informações relevantes você perderia todo o dia,
toda hora, todo minuto?
Uma criança que tem dificuldade
para ouvir todas as informações em detalhes, vai se beneficiar de suportes
visuais, como
palavras escritas em flashcards, instruções por escrito ou tarefas por escrito.
Essa criança talvez precise ouvir e ler a palavra ao mesmo tempo para que processamento
da informação ocorra.
| Heitor trabalhando sua coordenação motora fina |
Para trabalhar o movimento de pinça, principalmente em crianças que escrevem colocando muita força no lápis, esse é um material bem fácil de confeccionar. Basta um palito de churrasco (não podemos eliminar a ponta porque aqui ela é necessária - mas é bom tomar muito cuidado!), um retângulo de isopor (existe um tipo de isopor que não se esfarela) e uma figura grande com pequenos buracos. O objetivo é que a criança espete o palito nos buracos feitos na figura. É diferente, divertido e eles aprendem, aos pouquinhos, a controlar sua preensão.
DEPOIMENTOS DE PAIS SOBRE ABA
"Mateus melhorou no raciocínio lógico, melhorou no senso de responsabilidade e aumento da percepção espacial.
Rafhael já formula sua própria opinião, está mais tolerante com a derrota e aceita melhor os limites impostos pelos pais"
Elias e Francisca Sousa, pais de dois meninos do espectro autista que participam de sessões de ABA.
DICAS DE COMO AJUDAR SEU ALUNO AUTISTA NA ESCOLA
- Para um sucesso maior, as tarefas complicadas devem ser quebradas em pequenas partes.
- Não apresente ao aluno atividades longas. Por exemplo, se o exercício precisa que o aluno escreva 10 sentenças, comece com duas. Simplifique atividades desafiadoras e abstratas. Transforme questões subjetivas em questões de múltipla escolha.
- Use material visual para fazer com que a atividades pareçam mais concretas.
- Use cartões para resumir os passos para a realização de tarefas ou as atividades da agenda diária.
- Ofereça intervalos para exercícios físicos e limite o tempo necessário para a atividade. Isso ajuda as crianças que têm dificuldade para reter a atenção.
- Horários visuais ajudam na noção do tempo e no controle da ansiedade e na administração da tolerância.
- Use a regra 80/20. Toda vez que começar um dia de atividades, comece com atividades mais fáceis (80%) e que não causarão problemas disruptivos e de desestruturação de ambiente. A criança fica mais confortável em sala e mais confiante. Os 20% de tarefas mais difíceis devem ser usados ou no final da sessão ou intercalada com as tarefas mais fáceis. Isso vai depender, logicamente, de cada criança.
- Com essa estrutura, é criada confiança e motivação para o trabalho. Se a criança começar o dia de trabalho com atividades além de seu potencial, pode desenvolver um senso de que não é capaz. Use comandos simples, com poucas palavras e seja direto.
- Apresente escolhas. Sempre. Toda criança se sente mais à vontade com seu horário de tarefas quando pode escolher ou a ordem das tarefas ou que tipo de atividade quer realizar.
- Na hora do recreio, devem ser reforçadas as regras de convivência, comorespeito aos amigos e tolerância, não se permitindo bullying.
- Usar um rodízio de amigos para o recreio pode ser uma estrategia eficiente. A responsabilidade é dividida com todos e os amigos podem ser orientados a ajudar diretamente com as regras sociais.
- Deixe permitido para o aluno uma área na escola em que ele possa ficar sozinho e fazer o que gosta. Existem pessoas que defendem a liberdade da criança, onde ela possa ficar relaxada, fazendo os movimentos repetitivos que gosta, como se estivesse extravasando. Eu pessoalmente não gosto. Se estamos trabalhando para que a criança seja incluída e que tenha mais amizades e um relacionamento melhor com seus colegas, os movimentos repetitivos não são adequados porque não socializam e podem, muitas vezes, assustar os colegas. Todas as cartas devem ser usadas para que a criança seja redirecionada e não faça os movimentos.
- Uma ideia interessante é criar, dentro da própria escola, clubes de jogos, de computação, de música para que as crianças possam escolher o que fazer durante o recreio. Os clubes seriam supervisionados por um adulto e as crianças poderiam fazer o que gosta, falar do que gosta etc.
- Estrategias de redirecionamento e o que a criança não pode fazer e o que ela pode fazer devem ser distribuídas para todos os profissionais que lidam com ela.
- Refeitórios e áreas de lanche podem ser extremamente estressantes para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Muito barulho não só de coisas sendo arrumadas, mas vozes de crianças, arrastar de cadeiras, etc. Tente se imaginar no lugar de uma criança que é sensível demais e pode ouvir sons mais altos que você. Seja flexível em relação a tempos e dificuldades. Visite com a criança o lugar antes, vazio, para que ela visualize onde fica a comida, onde pode sentar, e o que vai acontecer. Isso diminue a ansiedade e minimiza problemas de comportamento.
- Dar a criança um brinquedo para aliviar a tensão em alguns momentos é ótimo. Em qualquer situação que você possa desestressar a criança, leve alguma coisa que ela goste de segurar ou uma esponja ou bola para apertar, um brinquedo com luz e/ ou água para que ela fique olhando. Isso pode minimizar possíveis problemas.
- Lembre-se de que as crianças com TEA não vão necessariamente aprender com as outras crianças.Mas elas surpreendem sempre!!!
TREINANDO SUA CRIANÇA AUTISTA A USAR O BANHEIRO
- Treinar uma criança a ir a o banheiro é um trabalho desgastante para toda a família e comunidade. Requer paciência e perserverança. Algumas famílias acham fácil e mais simples deixar a criança em fraldas para evitar os problemas que possam surgir durante o treinamento.
- Vale ressaltar que uma criança já treinada, tem um grande impacto na convivência social da família e na independência e aceitação social da criança.
- É válido usar algumas técnicas para controlar o estresse para diminuir os aspectos negativos de sobrecarga de energia e tempo.
- Muitas vezes é mais fácil que a criança seja treinada na escola que em casa, ou vice e versa. É importante que escola e lar trabalhem juntos num mesmo objetivo para o sucesso do treinamento. Comunicação é a chave do negócio. Para isso, não fique triste com a escola ou qualquer membro da equipe se as coisas não tiverem funcionando efetivamente em um dos lugares.
- Persevere e acredite que o sucesso virá. Evite ficar muito preocupado ou excessivamente estressado com a situação.
- Para saber se sua criança está pronta para ser treinada, observe as seguintes perguntas: a pessoa atua diferente ou parece notar quando está com fraldas ou partes de baixo molhada ou suja? Existe algum interesse ou diferença de comportamento em relação a banheiro, privada, ao trocar de roupas ou qualquer outra momento relacionado a isso? A pessoa apresenta alguam mudança de comportamento quando outra está envolvida em atividades ou objetos relacionados à higiene ? Se você respondeu sim a todas essas perguntas, a pessoa deve está tendo percepção e talvez pronta para iniciar o treinamento.
- Observe as horas certas para a criança ir ao banheiro e as inclua num horário visual.
- Coloque brinquedos preferidos da criança ou livros no banheiro para facilitar a adaptação desta.
- Algumas crianças podem ser muito sensíveis ao som da descarga. Colocar uma música calma pode ajudá-las a relaxar.
- Use a descarga como recompensa depois que a criança urinar na privada. Saiba, porém, que algumas crianças podem ficar super excitadas ou até com medo do barulho da descarga ou da visão da água descendo. Para que isso diminua, basta que as pessoas envolvidas usem reforço positivo como brinquedos com luzes ou barulho.
- Nunca pergunte se a pessoa quer ou não ir ao banheiro. Apenas diga para ela que é hora de usá-lo. Permitir que a pessoa indique se está na hora ou não, não é considerado nesse momento.
- Se a pessoa urinar ou defecar entre os horários, limpe tudo calmamente e não fique hostil ou aborrecido. Simplesmente ajude a pessoa a se limpar e continue seguindo o horário visual. Não faça nenhuma referência ao acidente.
- Na hora de escolher os desenhos do seu horário visual, escolha os que sejam claros e fáceis de entender. Lembre que os autistas pensam de forma concreta.
- Lembre-se o treinamento não está completo até que a pessoa aprenda a indicar que precisa ir ao banheiro sem ser lembrada por outras pessoas; complete a rotina independentemente e se prenda em pistas visuais ao invés de verbais.
- Antecipe qualquer problema quando for passear. Leve o horário visual e peça informação para saber onde estão os banheiros públicos para evitar se perder quando precisar usá-los. Carregue uma pequena toalha ou um alguns pedaços de papel higiênico para evitar qualquer problema relacionado à sensibilidade. Leve sempre o brinquedo preferido para diminuir a ansiedade.
- Não faça uma mudança brusca das fraldas para a cueca ou calcinha. Gradualmente, aumente o número de horas que a criança estiver usando as partes de baixo, usando o bom senso. Recompense os momentos em que a criança não esteja usando fraldas.
- Se depois de treinada, a criança estiver usando muito papel higiênico, diga uma quantidade de quadradinhos do papel para ela contar ou utilize dicas visuais para determinar a quantidade correta.
- Lembre-se que a criança pode apresentar algum tipo de regressão quando estiver doente, tomando medicamentos ou mudar o tipo de comida. Se houver algum tipo de mudança na rotina ao deitar, ou até dentro da escola como mudança de professora, transferência de colegas ou problemas na família – tudo isso pode interferir no treinamento. Quando isso acontecer, tente identificar o motivo, converse com o médico ou com a família. Não mostre desapontamento, raiva ou outra emoção negativa.
- Calmamente retorne as estratégias que eram eficientes.
(Dicas baseadas
no livro Toilet training for individuals with autism and related
disorders de Maria Wheeler. Texas:
Future Horizons, 1998.)
MOTIVAÇÃO É A CHAVE DO MISTÉRIO
Motivação foi uma palavra
muito usada nos anos 80 em livros de auto-ajuda e palestras promovidas por
empresas que procuravam aumentar o lucro e incentivar seus funcionários.
Hoje
em dia, as escolas foram buscar essa palavra perdida em outra seção da livraria
para tentar achar o seu significado dentro da sala de aula.
O professor deve
acrescentar tarefas que sejam prazeirosas ao mesmo tempo que educativas. Usar
material concreto como barras de madeira para ensinar matemática, balões de
aniversário para ensinar cores, colagem com lã, palitos de picolé, arroz e
algodão para aperfeiçoar a coordenação motora fina são alternativas que
funcionam.
Mas como manter o
nível de interesse de crianças que não conseguem se concentrar facilmente? Como
manter a criança com algum tipo de dificuldade motivada se, muitas vezes, elas
demoram mais tempo para executar as tarefas?
Manter a motivação
sempre em alta é condição sine qua non para a aprendizagem. Para isso é
importante que o educador elogie o esforço da criança e qualquer tentativa de
realização das tarefas.
Descobrir um
brinquedo, uma atividade ou até um lanche que a criança goste pode fazer com
que ela se interesse e se esforce. Esse é um dos princípios da Applied
Behavioral Analysis (ABA), conhecida no Brasil como Análise Aplicada de
Comportamento, teoria baseada em Skinner e nos seus princípios behaviouristas.
De acordo com Coll (2004) et
all:
O
enfoque behaviourista contribuiu para fazer com que se reconhecesse a
possibilidade de gerar aprendizagens em sujeitos que se consideravam pouco ou
praticamente incapacitados para aprender; para deslocar o interesse tradicional
em aprendizagens tipicamente escolares, pouco significativas e nada funcionais
nas pessoas com deficiências graves (...)
(COLL,
2004, p.206)
Para isso, o
educador tem que ter bem definido qual o reforço positivo (ou recompensa) mais
desejado pela criança e qual comportamento quer modificar. Por exemplo, vamos
considerar uma sala de primeiro ano do Ensino Fundamental onde duas crianças
estão com dificuldades em ler vocábulos com o dígrafo “lh”. O professor prepara jogos com as palavras e
atividades extras para que os alunos aprendam. Essa idéia é perfeitamente
aceitável. Mas se o educador apresenta para as crianças um planejamento mais
flexível, tipo: “Nós vamos fazer três atividades: atividade 1, atividade 2 e
depois vamos jogar uma partida daquele dominó que vocês tanto gostam !”, as
crianças vão se esforçar um pouco mais para fazer as atividades.
Para determinar o que
motiva o seu aluno, o professor pode perguntar à criança, observá-la durante o
recreio ou os amigos da mesma faixa etária. Não deve se esquecer, portanto, de
que as preferências de qualquer criança mudam bastante e devem ser reavaliadas
mensalmente.
Com a auto estima
sempre flutuante, crianças que apresentam algum tipo de dificuldade precisam de
um empurrão para se manterem focadas na aprendizagem. Aliás, a auto estima é
regulada pela imagem que as outras pessoas fazem dessa criança e da percepção
que a criança tem da própria eficiência. A escola tem grande responsabilidade
na construção da auto imagem desse aluno. Mas cabe à família manter e reforçar
uma imagem positiva, para que a transição entre escola e lar seja feita de
forma amena e satisfatória.
Existem duas
maneiras de se trabalhar a motivação:
“capturando”, que significa aproveitar a distração da criança e usar o
objeto dispersante para motivá-la; e “criar” motivação, ou seja, contruir um
ambiente que possa despertar os interesses da criança. Mas como se pode fazer
isso? Veja as dicas abaixo:
- Arrume alguns objetos preferidos de forma que estejam visíveis mas fora do alcance da criança. Por exemplo, coloque o objeto numa prateleira bem alta, ou dentro de um pote transparente (de plástico, de preferência) bem fechado.
- Peça ao aluno que realize uma atividade como pintar, e dê a ele tintas, papel mas não entregue o pincel.
- Envolva o aluno numa atividade física que ele goste, comece a brincadeira e depois pare no meio da ação. Espere para ver se a criança vai pedir para que a brincadeira continue.
- Cante quando você manipula um objeto ou brinque com um brinquedo de maneira “exagerada” para que chame a atenção do aluno.
- Introduza brinquedos/jogos novos e atividades diferentes para que o aluno amplie suas opções de interesse.
- Use um horário visual com a atividade que o aluno vai realizar primeiro e a que vai ser feita depois. Inclua a atividade preferida do aluno no final para que ele entenda que duas atividades deverão ser realizadas para ele ter acesso a “recompensa” depois. A visualização da recompensa depois da obrigação reduz a ansiedade e promove o planejamento das atividades. Essa estratégia pode resolver muitos problemas de comportamento dentro de sala.
Vale enfatizar que o
educador tem que ter a certeza de que a tarefa pedida está dentro da capacidade
do aluno. É essencial explicar que a recompensa só virá quando o trabalho for
realizado. A consistência do horário traz segurança e previsibilidade.
Com
um olhar atento e troca de experiências com a família de seu aluno, você será
capaz de fazer uma lista com atividades ou brinquedos de que seu aprendente
gosta e, com ela, poderá manter a motivação sempre em alta. Com uma voz firme,
porém tranqüila, o educador deve também elogiar as tentativas e manter sempre
um semblante calmo e nunca intimidador. Crianças são rápidas em descobrir
quando um adulto não está sendo sincero em suas palavras!
Todo
professor se sente realizado quando os alunos aprendem. A meta do educador
deste século é usar a criatividade para que a criança aprenda feliz e sem
bloqueios.
PROJETO CLUBE DE AMIGOS EM FORTALEZA
Um projeto novo destinado a adolescentes e jovens portadores de deficiência intelectual começará a funcionar em Fortaleza a partir de fevereiro de 2015.
É uma parceria com o Núcleo Sol. Num esquema de uma vez por semana os alunos, divididos por faixa etária e em grupos de, no máximo, 10 alunos, terão planejamento individualizado em cada oficina que participar sendo elas: oficinas de leitura, matemática, expansão de vocabulário e situações diárias, bijouteria e profissionalizantes.
Os objetivos gerais compreendem:
Encorajar amizades;
Ampliar vocabulário dos alunos;
Incentivar a independência;
Aumentar a auto-estima do aluno;
Promover a integração entre os alunos e o meio;
Desenvolver as habilidades de escrita e leitura;
Desenvolver a coordenação motora fina através de atividades lúdicas.
Estamos empolgados e achamos que laços de amizades florescerão pelas ruas da cidade!!
UMA FIGURA VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS E GERA DEZENAS DE OUTRAS
Artigo escrito por mim para a Revista Autismo número 3.
http://www.revistaautismo.com.br/RevistaAutismo001.pdf
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