COMO O ABA PODE AJUDAR DENTRO DA SALA DE AULA

As técnicas simples e eficientes apresentadas abaixo podem ser utilizadas por qualquer professor, tanto o de uma sala pequena como um de uma sala com 50 alunos. Não precisa de horas de preparação em casa ou horas extras. Requer apenas paciência, um olhar apurado e uma vontade enorme de ajudar o seu aluno nas pequenas conquistas.

1. Coloque uma lista com todas as atividades que serão feitas durante o dia na lousa com seus respectivos desenhos. Isso ajuda a diminuir a ansiedade. Por exemplo, se no primeiro horário do dia será realizado um exercício de matemática, escreva a palavra matemática num cantinho do quadro e faça um desenho de continhas ao lado da palavra ou prepare certos desenhos de antemão e, com velcro, prenda em feltro ou em papel, na borda do quadro. O uso de desenhos e figuras favorece o aprendizado dessas crianças que são fortes visualmente. Se necessário, o aluno deve ter também o horário visual na sua própria mesa ou na primeira folha do caderno. Essa disposição ajuda não só aos alunos com transtornos de desenvolvimento mas a todos os outros que poderão melhor se organizar durante as tarefas.
2. Seja conciso, claro e firme quando der a instrução de uma atividade. Como essas crianças são facilmente distraídas, muitas palavras podem confundí-las e tirá-las do foco. Não adianta dar um comando com várias sentenças para que ela o assimile e o execute. A professora pode ainda apontar para o horário feito e pendurado em velcro na margem do quadro, como também pegar o próprio livro de matemática e mostrá-lo na frente dos alunos. Seja específico e dê ao aluno alguns segundos para que ele processe a informação.
3. Faça elogios verdadeiros. Isso não significa que o professor deva fazer elogios a toda hora. Qualquer criança percebe quando um adulto não está sendo sincero. Se para um aluno aquela atividade vai ser muito difícil, fique por perto e, a cada passo que ele consiga fazer ou esteja mostrando interesse em tentar, aproxime-se, elogie a tentativa, ou dê somente um tapinha no ombro para que ele saiba que você está ali o apoiando. Elogios funcionam para todos e, para as crianças que têm dificuldade em alguma matéria ou até problemas de concentração, servem como motivação para seguir adiante. Até se a criança estiver fazendo uma letra bonita e caprichada ou estiver sentada numa postura correta, elogie.
4. Cuide para que a decoração da sala de aula não esteja visualmente poluída. Muita informação distribuída nas paredes pode distrair a atenção de todos.
5. Escolha um aluno para ajudar sua criança incluída na realização de tarefas acadêmicas. Isto vai ser fundamental para o desenvolvimento de relações sociais. Mas cuidado, não utilize sempre o mesmo aluno. O rodízio entre colegas é importante para não sobrecarregar uma só criança e promover a integração de outras na divisão de responsabilidades. Ou seja, um pode ficar encarregado de auxiliar nos exercícios de Ciências, outro nos de Português, outro na formação da fila, outro na aula de Educação Física, outro na ida da Biblioteca e outro ainda será capaz de incluí-la nas brincadeiras na hora do recreio.
6. Disponibilize jogos de tabuleiro e industrializados na hora do recreio. Como eles são mais previsíveis, as crianças se sentem mais a vontade em brincar porque as regras já são previamente conhecidas. E, como o número de jogadores é menor do que um jogo na quadra aberta da escola, essas crianças se sentem um pouco mais calmas, diminuindo a angústia que é, muitas vezes para elas, a hora do recreio.
7. Algumas crianças são extremamente sensíveis ao toque, a ruídos e a cheiros. Outros precisam ser estimulados através do tato e do som. Estude seu aluno com calma e tome algumas medidas para ajudá-lo. Tenha dentro do seu armário aquelas bolas de estresse ou aqueles brinquedos tipo porco-espinho para que o aluno recorra em momentos de ansiedade. É eficiente colocar areia numa meia ou encher um balão pequeno de água para que o aluno se estimule sensoriamente. Providencie um fone de ouvido se seu aprendente for muito sensível a ruídos. Peça a mãe para fornecer uma almofada se for mais fácil para que seu aluno sente na rodinha ou mesmo na cadeira. Compartilhe com os pais as dúvidas e peça sugestões, eles conhecem a criança a mais tempo que você. A família e a escola devem trabalhar juntas para o benefício do próprio aluno.
8. Faça uma plaquinha com um desenho que represente a frase: Preciso de um tempo. Lembre-se que, para essas crianças, é muito difícil obedecer a disciplina militar que ainda existe em algumas escolas. É essencial que os coordenadores, supervisores e diretores estejam de comum acordo e aprovem a medida, para quando encontrarem o aluno fora de sala, não acharem estranho. Deixe claro para o aluno que esses minutinhos de intervalo é para ele ir beber água ou ler um estorinha na biblioteca, estipule um objetivo.
9. Pergunte à família qual o interesse de seu aluno e use essa informação a seu (do professor e do próprio aluno) favor. Se a criança tem interesse em trens, dê exemplos com trens em todos os casos que puder, em problemas matemáticos, nas questões de Geografia ou ao mudar de ambientes dentro da escola. É interessante também manter em sala uma atividade que seu aluno goste muito: pode ser um livro favorito, um quebra-cabeça ou uma cartela de adesivos. Ensine a ele que primeiro deve fazer as tarefas e depois ele poderá realizar a atividade que mais gosta por alguns minutos. Cumpra sua promessa.
10. Como as crianças dentro do espectro autista não entendem regras sociais, estas precisam ser explicadas de forma explícita. Escreva estórias socias. De acordo com Gray (1994), estas são roteiros personalizados que ajudam o aluno a entender uma situação social, regular seu comportamento repetitivo ou até aprender novos conceitos sociais. Por exemplo, se seu aluno tem problemas com a hora do recreio, você pode criar uma estória numa folha de papel para que ele leia todo dia antes de ir para o recreio até ele internalizá-la. No título da estória deve constar o nome da criança e o roteiro pode ser simples assim: “Todos os dias nós vamos ao pátio da escola para brincar. Tem muitas coisas que eu posso fazer durante a hora do recreio. Eu posso descer no escorrega. Posso brincar de bola. Posso chamar um colega para brincar comigo. Eu fico feliz na hora do recreio”. Quando escrever a estória, use sempre a primeira pessoa no tempo presente do indicativo e utilizando desenhos após cada frase. Seja específico.
11. Incentive a contação de piadas quando estiver na rodinha ou até nos últimos dez minutos de aula. Crianças com transtorno invasivo de comportamento não entendem frases ambíguas, piadas, gírias ou adivinhas. Se o planejamento não permitir tempo para isso, separe um dia na semana apenas para que cada criança traga uma piada ou uma adivinha para contar para o resto da classe. Esse é um momento de descontração e relaxamento para todos e, mais que isso, você está ajudando seu aluno a se integrar mais facilmente no grupo de amigos.
12. Arrume no seu planejamento um tempo para discutir coisas simples como ética e inclusão. Você pode dividir a sala em grupos e fazer perguntas do tipo: “O que você faria se um estranho lhe oferecesse chocolate?”, “Você não foi convidado para a festa de seu vizinho. Como você se sente?” ou ainda “Você atende o telefone e a pessoa ligou o número errado. O que você diz?”. São perguntas simples que seu aluno autista vai ter dificuldade em responder, mas, uma vez trabalhando em grupos, todas as crianças serão capazes de refletir sobre o tema e você, como professor, poderá direcioná-las e listar, com elas, as possíveis respostas. Se no horário escolar, o aluno tiver uma matéria como ética ou religião, converse com esse outro professor, vocês poderão planejar juntos um programa bem interessante. Vale fazer desenhos para pendurar na sala como também produzir um livro coletivo e, quem sabe, esse projeto não serve para ser apresentado para os pais ou os colegas de outras séries. Use sua criatividade e mãos a obra!.
Ter uma criança especial dentro da escola não é só promover mudanças de estrutura física mas colocar em prática estratégias de ensino que promovam o aprendizado para todas as crianças.
Referências

. ALVES, F. Inclusão: novos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro: WAK, 2003.
. BEYER, H. O fazer psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein, a partir de Piaget e Vygotsky. Porto Alegre: Mediação, 1996.
. COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais – volume 3. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.
. FONSECA, V. Pais e filhos em interação – aprendizagem mediatizada no contexto familiar. São Paulo: Editora Salesiana, 2002.
_______________. Educação Especial – programa de Estimulação Precoce: uma introdução às idéias de Feuerstein. Porto Alegre: Editora Artmed, 1995.
. FOXX, R. Increasing behaviors of persons with severe retardation and autism. USA: Research Press, 1982.
. GRANDIN, T. Thinking in pictures. New York: Doubleday, 1995.
. GRAY, C. The original social story book. Texas: Future Horizons, 1994.
. KOEGEL, L.K.; LaZEBNIK,C. Overcoming autism: finding the answers, strategies, and hope that can transform a child’s life. USA: Penguin Books, 2004.
. LOVAAS, I. Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic children. Journal of Abnormal Child Psychology, v 20, p. 555-566, 1987.
. MAGALHÃES, R.(org.) Reflexões sobre a diferença: uma introdução à educação especial. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2002.
. SIGMAN, M.; CAPPS, L. Children with autism: a developmental perspective. London: Harvard University Press, 2002.
.STAINBACK, S. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed,1999.

12 FATOS SOBRE O AUTISMO

1. O autismo é a desordem de desenvolvimento mais comum no mundo, afetando 1 em cada 150 crianças;
2. O autismo é 4x mais freqüente em meninos que meninas, sem restrição de raça, etnia ou situação sócio-econômica;
3. O autismo é definido e diagnosticado através de observações comportamentais;
4. O autismo é uma sindrome e como tal aparece num espectro de nível do mais leve para o mais severo;
5. O autismo aparece antes dos 30 meses. Algumas características são: falta de contato olho no olho, intolerância a toques, falta de atenção aos outros, “aparenta surdez”, deficiência na linguagem e socialização, resistência a mudanças e pouca atenção;
6. Aproximadamente 60, 70% dos autistas tem um nível de retardo mas isso não reflete a real inteligência dessas crianças já que os teste de inteligência são estandartizados;
7. 1/3 dos autistas desenvolvem convulsões na adolescência;
8. Não existe uma causa para o autismo. Algumas pesquisas apontam a genética, biologia e components ambientais.
9. O único tratamento cientificamente comprovado para o autismo é a terapia de mudança de comportamento;
10. É aconselhável a terapia quando a criança é pequena porque o cérebro dos pequenos é plástico e permite uma aprendizagem maior.
11. Não existe cura para o autismo.Contudo algumas crianças apresentam progressos significativos com o tratamento. O progresso varia de indivíduo para indivíduo. Algumas crianças passam desapercebidas numa classe regular.
12. Indivíduos com autismo tem uma boa expectativa de vida.

A Associação Americana sobre Autismo apurou, na última pesquisa que, em cada 91 nascimentos uma criança nasce dentro espectro autista.
A série The Big Bang Theory que passa no canal a cabo Warner às segundas-feiras, às 20horas,, conta a história de Sheldon e seus 3 amigos. Quando uma vizinha se muda para o apartamento ao lado, um dos amigos começa a se interessar por ela e engatam um namoro. A dinâmica do casal compromete a amizade dos rapazes.
Sheldon (o segundo à esquerda na foto) é um desses amigos. Ele é extremamente metódico e perfeccionista. Ele se senta num único lugar no sofa, não dirige e ainda exige que os amigos o levem para o trabalho (seguindo sempre o mesmo caminho). É fã de gibis e RPGs e tem uma memória muito apurada.
Bill Prady, um dos roteiristas da série, trabalhou como analista de sistemas e diz ter se inspirado em seus colegas para criar os personagens da sitcom.
Muitos artigos da internet discutem se Sheldon é mesmo Asperger ou se possue apenas características próprias.
De acordo com seus criadores, seria muito arriscado assumir que o personagem é um Aspie, mas é notório que alguns traços não deixam dúvidas que a possibilidade é grande: a fala sem intonação, dificuldade de entender a linguagem corporal; resistência à mudanças; incompreensão de metáforas e ironias e interesses restritos. Vale ver a série e tirar a dúvida você mesmo!!!

Como Dora & Diego podem ser seus parceiros de trabalho na estimulação da linguagem de seu filho(a) autista.


Dora e Diego são dois primos que dançam, cantam e salvam os animais. Cada um tem o seu próprio desenho animado mas, às vezes, compartilham da mesma aventura. No original, Dora e Diego falam inglês e espanhol. Exibido aqui pelo canal Nickelodeon, eles falam inglês e português.
Os dois desenhos têm o mesmo formato, mas das crianças autistas com quem trabalhei no último semestre, todas elas, ou seja, 100% delas eram loucas por Dora. E se analisarmos a estrutura da estória, vamos encontrar os motivos pelos quais essa fascinação é possível.
Dora começa cumprimentando seus telespectadores e interage com eles. Mas como as crianças autistas podem gostar do desenho se interação social é um dos maiores déficits da síndrome? Acontece que toda vez que Dora faz a pergunta, aparece uma dica visual, uma seta que pisca ao mesmo tempo em que o som do clique de um mouse é ouvido. A criança é forçada a se guiar pela seta e achar a resposta. Essa é a dica que chama a atenção do nosso telespectador.
Quando Dora e Boots (Botas, em português), seu macaquinho, têm dificuldade de achar o caminho a seguir eles chamam pelo Map (Mapa) que tem uma música para sua apresentação tocada em todos os episódios. O Mapa repete o itinerário cinco vezes. Para chegar no seu destino final, o mapa mostra três obstáculos que são iluminados a medida em que são nomeados. Essa parte do espisódio é bastante visual e é feita da mesma maneira todas as vezes.
Por três vezes na estória, Dora precisa da ajuda dos telespectadores e sempre dá uma dica verbal “Say...”( “Diga...”) que é muito comum nas sessões de terapia de ABA.
Outro personagem que aparece uma vez no episódio com 5 itens para ajudar Dora na sua aventura e a Backpack (mochila). Os objetos aparecem em volta da mochila e esta pede ajuda dos telespectadores para decidir qual objeto vai ser mais útil para Dora. A seta aparece mais uma vez com o som do clique do mouse para auxiliar os telespectadores a saber o que vai ajudar Dora.
O desenho é interessante porque convida as crianças a participar e a interagir. As crianças são obrigadas a prestar atenção em todo episódio. Tem uma música curta e cheia de repetição e bastante detalhes.
Se sua criança também gosta de Dora, existem várias maneiras que você trabalhar suas aventuras. Você, pai ou terapêuta, pode trabalhar o desenho animado nomeando os bichinhos que aparecem, simplesmente ir falando as coisas que vão aparecendo para aumentar o vocabulário, ou até mesmo trabalhar a atenção conjunta com frases: “Olhe! Estou vendo...” e encourajar a criança a dizer uma frase de volta a você do mesmo jeito “Olhe! Estou vendo...” para trabalhar discretamente a reciprocidade de uma conversa. Você pode trabalhar imitação quando Dora e seus amigos estiverem cantando. E ainda pode usar da tela do seu televisor para mostrar objetos e apontar para a TV.
Usar os desenhos para aprimorar a linguagem de seu filho autista e estimular a comunicação é uma ótima idéia. Todas as ajudas podem ser depois retiradas para que seu filho (a) participe das interações com você de forma mais independente. Transforme a televisão num parceiro de trabalho e aproveite!!!

As vantagens das Oficinas Pedagógicas para os adolescentes com deficiência



Aquela criança com deficiência cresceu. Ele já não mais acompanha com sucesso a escola. Os adolescentes do bairro não o convidam para as atividades sociais da idade como ir ao cinema, jogar bola na praça ou apenas conversar na porta de casa. Esse é o dilema de muitos pais. Mas o que fazer com esses adolescentes? Um espaço de aprendizagem como uma Oficina Pedagógica pode ser a solução.
Nesse espaço composto por jovens, em pequenos grupos, desenvolvem-se projetos de leitura, atividades da vida real e tarefas profissionalizantes como bijouterias, tricô, carpintaria ou corte e costura, por exemplo.
O planejamento das aulas deve ter um objetivo imediato e um a longo prazo, mas a interação entre os colegas deve ser sempre incentivada. A promoção do bate-papo eleva a auto-estima dos alunos, valoriza suas opiniões, tornando-os mais confiantes..
É importante ressaltar que o trabalho do aluno numa oficina, apesar de compartilhar de um ambiente coletivo, é individualizado. Já que uma vez interagindo nas atividades, o professor vai percebendo a melhor maneira de trocar informações, respeitando o conhecimento prévio do aluno.
Citando Ariella Medeiros (http://inclusaobrasil.blogspot.com), “as oficinas pedagógicas representam, assim, um espaço concreto e funcional do aprender humano, mas, sobretudo, do emancipar-se da construção de projetos de vida”.
A troca de vivência dos alunos propicia discussões e promove amizades, tornando o dia-a-dia deste aluno produtivo e prazeiroso.

Juntando as peças - como o quebra - cabeças pode ajudar na inclusão de seu aluno autista




O quebra-cabeça é um brinquedo que pode assustar pelo nome mas, na verdade, ajuda a criança em diversas áreas do desenvolvimento.
Crianças com necessidades educacionais especiais precisam de atividades interessantes para aprender conceitos abstratos como matemática, geometria ou gramática. Porque não transformar o quebra cabeça num parceiro de trabalho?
O professor deve primeiro observar seu aluno para saber que personagem de estória ou desenhos animados ele gosta ou que tema lhe interessa. Depois deve procurar na internet ou em revistas esse personagem (ou tema) e recortá-lo em diversas partes formando diversos quebra-cabeças.
De acordo com Silvia Zatz et alli “montar um quebra-cabeça é uma atividade intelectual que estimula a concentração, a observação e a persistência (...) São apresentados em diversas versões e diferentes, desde os modelos mais simples de 2 ou 4 peças, para crianças bem pequenas, até aqueles que desejam centenas ou milhares de peças. É interessante propôr um desafio crescente para a criança sem forçá-la”1
Existem vários tipos de quebra-cabeças. Os de formato no fundo ajudam na discriminação visual da criança. Os que têm o pegador por cima das figuras favorece o movimento de pinçar, estimulando a coordenação motora fina.
O quebra-cabeça com várias peças e que não tem uma forma definida para as figuras é mais difícil, portanto deve se começar com poucas peças, duas por exemplo. Depois, gradativamente, aumenta-se o número de peças. Mas esse brinquedo tão antigo não serve só para isso!.
Como a atividade de montar as peças requer concentração, a criança fica mais atenta a detalhes e, com isso, aprende a virar a posição das peças para juntá-las. O brinquedo ajuda o autista a associar uma peça a um todo e vice e versa. É difícil no início mas a criança vai lidar com a frustração sabendo que se uma peça não servir naquele canto, pode encaixar em outro.
Ficar sentado numa cadeira com a devida postura fazendo uma tarefa que requer concentração é muito complicado para um autista. Mas como a memória visual destas crianças é forte, o quebra-cabeça pode se tornar um ótimo passatempo.
Crianças com problemas de comportamento em sala podem se beneficiar deste antigo brinquedo. O professor pode colocar duplas de alunos trabalhando num quebra-cabeça , esperando a vez, dividindo não só o mesmo espaço mas também o mesmo brinquedo.
Faça seu quebra-cabeças
Você pode pegar uma caixa de cereal e colocar uma figura grande em cada superfície caixa e fazer, assim, quatro quebra-cabeças diferentes.
Você pode usar caixas de pasta de dente e fazer o mesmo com maior número de caixas. Além da criança manusear objetos grandes, você pode colocar figuras de personagens que motivem seus alunos.
Você pode fazer ainda uma matriz com esboços das peças e, numa atividade de colagem, o aluno pode procurar figuras numa revista e colocá-las na matriz e recortá-las. De repente, você vai ter uma caixa cheia de diferentes quebra-cabeças.

Quebra-cabeças como atividade social

O quebra-cabeça é uma atividade tão interessante que pode ser realizada em grupo ou individualmente. E as duas opções podem beneficiar o seu aluno autista.
É uma atividade tão importante para o desenvolvimento da criança que, no ABBLS (The Assessment of Basic Language and Learning Skills), existe uma sessão só para ele. Primeiro a criança começa aprendendo a fazer o quebra-cabeça simples, depois com peças que se conectam. Após conectar peças com eixos quadrados, vem os quebra-cabeças com peças justapostas e, finalmente, um quebra-cabeças com várias peças sem pistas (moldura ou desenhos).
Para um aluno com desvio de comportamento que tem dificuldade de dividir brinquedos e esperar a vez, o quebra-cabeça pode ser um ótimo aliado do professor. Monte um quebra-cabeça que seja diferente (uma colagem feita pelos próprios alunos, quem sabe…) e peça para que as crianças trabalhem em duplas. Fique perto das duplas que você já sabe, por experiência, que podem ter algum problema. Interfira quando o aluno não estiver sabendo esperar a vez ou esteja a ponto de brigar por uma peça. Elogie cada tentativa por cooperação. Faça elogios sinceros e diretos: “Como vocês estão brincando tão bem!” ou “Estou adorando o modo como vocês dois estão dividindo o brinquedo”.
Se for necessário, escreva num papel as palavras: “MINHA VEZ”, “SUA VEZ” e mostre o cartão para o aluno para sinalizar a troca da vez e ajudá-lo a esperar a hora de jogar. Se a atividade for feita de forma sistemática, digamos duas vezes por semana, aos poucos, eles vão aplicar o que aprenderam em outros jogos, generalizando a idéia.
Para alunos que são muito dependentes de pais ou professoras, fazer um quebra-cabeça ajuda na auto-confiança da criança e na sua independência, já que ela pode sentar num cantinho e realizar um quebra cabeça enquanto a mãe está conversando no telefone ou a professora está atendendo a um outro aluno.
Para as crianças que gostam de ter sempre a atenção de um adulto, vale separar um quebra cabeça simples de 9 ou 12 peças e mantê-lo numa caixa de sapato que tenha a figura do quebra cabeça na tampa. Ponha a caixa num lugar acessível à criança. Ensine a ela um comando do tipo “Faça suas atividades” ou “Vá brincar”. A criança vai até a prateleira, derruba a caixa com as peças, monta o brinquedo e depois coloca as peças de volta na caixa. Elogie o esforço. Para uma criança com transtorno do deficit de atenção, por exemplo, esse é um momento importante onde ela realiza uma atividade que tem princípio e fim. O quebra-cabeça reduz a ansiedade já que é uma atividade completa onde as peças se completam e formam uma figura no final.
De acordo com Shayna Guenther, psicóloga com mestrado em ABA e há mais de 10 anos trabalhando com autistas no Canadá, acredita que “o quebra-cabeças traz previsibilidade, trabalha o cérebro e não requer linguagem ou interação social para realizá-la, talvez, por isso, seja tão popular entre essas crianças”.

A história do quebra-cabeças

O primeiro quebra-cabeça foi produzido por volta de 1760 por John Spilsbury, um gravador e confeccionador de mapas. O produto final tornou-se um passatempo educacional para ensinar geografia às crianças britânicas. A idéia serviu e, até por volta de 1820, os quebra-cabeças tinham somente fins educacionais.
A era de ouro desse brinquedo foi entre 1920 e 1930 com as grandes indústrias como Chad Valley e Victoria da Inglaterra e outras dos Estados Unidos produzindo uma variedade grande de quebra-cabeças como cenas sentimentais ou de ferrovias.
Mas durante a Depressão nos Estados Unidos, no auge de setembro de 1932, os Estados Unidos produziram 12.000 desses brinquedos. Logo depois as vendas cresceram de 100.000 para 200.000 produtos. Você, leitor, pode achar estranho porque um produto não essencial vendeu tanto numa época em que as pessoas não poderiam gastar muito dinheiro. Mas a idéia de comprar um brinquedo não muito caro e que podia ser dado para outra pessoa da família ou amigo, era divertido e diminuía o estresse!

Idéias para desenvolver a coordenação motora fina da criança

1. Pegue um daqueles vidros de remédio com conta gotas que você tem no armário.
Ensine a criança a apertar a borracha usando o dedo polegar e o dedo indicador. Use um timer e o programe para 5 segundos.Veja quantas vezes a criança consegue apertar. Faça isso várias vezes ao dia com a criança e assegure que ela use ambas as mãos. Esse movimento vai ajudar à criança a ter firmeza ao segurar o lápis para escrever.

2. Esse exercício é muito bom mas funciona melhor se você tiver uma maçaneta redonda.O processo é o mesmo do número 1. Pegue um timer e marque quantas vezes a criança consegue rodar a mão para abrir a porta. Esse movimento é bom para o pulso e, com certeza, vai ajudar a criança a posicioná-lo na hora de escrever.

3. Providencie um daqueles brinquedos de plástico que se coloca na banheira para a criança brincar. Sabe aqueles fáceis de apertar? Brinque com a criança no banho que é mais divertido, mas deixe que ela aperte o brinquedo. Esse movimento ajuda na flexibilidade dos dedos.

4. Arrange um chocalho para o próximo exercício. Você pode inclusive confeccionar um com garrafinhas de plástico de refrigerante e macarrão, milho ou lentilha dentro. Ensine a criança a balançar o chocalho para frente e para trás mas sem mexer o braço, somente o pulso. Se for necessário, nas primeiras vezes, segure o anti-braço da criança para que ela não o mexa. Esse exercício dá mais agilidade para o pulso.

5. Coloque areia numa bacia e faça desenhos junto com a criança. Incentive o uso do dedo indicador na confecção do desenho. Deixe que a criança brinque depois. Explore outras texturas com a criança. Tinta, milho, arroz, creme de barbear, água com anilina colorida e algodão são outros exemplos.

6. Rasgar jornal e papel também ajuda. Você pode convidar a criança para depois fazer uma chuva de papel ou uma grande colagem.

7. Compre uma folha de EVA e recorte algumas figuras (de preferência as preferidas da criança). Por exemplo, se ela gosta de carros,corte figuras de um carro comum, um de corrida e um jipe. Se a menina gosta de brincar de bonecas, corte uma camiseta para boneca, chapéu e bolsinha. Escolha duas figuras apenas para começar. Faça um furo no meio das figuras e entregue um cadarço para a criança. Sentado atrás da criança faça com ela o movimento de constura, enfiando o cadarço nas figuras. Primeiro use sua mão por cima da criança. Aos poucos, faça menos pressão nos movimentos até que a criança coloque duas figuras independentemente. Aí sim você pode incorporar mais figuras. Esse exercício ajuda muito no movimento de pegar o lápis. Aconselha-se começar com figuras de EVA para depois passar a pequenas contas.

8. Ensine a criança a desenhar linhas. Faça primeiro umalinha horizontal _________ e diga a ela: “Copia o que eu faço”// “Faça isso!” e deixe ela copiar. Se a criança não conseguir fazer, utilize a sua mão por cima da dela para que ela consiga sucesso no início. Aos poucos diminua a pressão até que a criança consiga fazer o exercício sozinha. Depois de fazer ________, passe para linha vertical, X, + , O, , D. Mais tarde tente sol, face, pessoa, árvore,etc.